02 out Como levar o paciente com Alzheimer “para casa”?
Minha mãe fica pedindo para ir para casa, mesmo estando em casa. O que fazer? Esta é uma pergunta que muitos familiares de pessoas com Alzheimer fazem ao se deparar com a situação. Infelizmente, como o principal sintoma da doença é a perda progressiva da memória, o questionamento será cada vez mais frequente e é importante ter amor, paciência e jogo de cintura para lidar com o paciente.
Antes de qualquer coisa, evite o stress. Busque alternativas para não entrar no padrão mais comum que é o embate com o familiar pois, de fato, ele esqueceu que mora ali. A situação se prolongará com você dizendo que sua mãe (ou pai) está em casa e ela rebatendo que não está. Isso poderá gerar uma discussão desnecessária.
Doses extras de carinho e empatia são sempre bem-vindas. Evite repreender e busque tranquilizar. Para isso, listamos abaixo cinco alternativas que irão te ajudar com a situação sem piorar o quadro ou desgastar a relação de vocês:
1 – Diga que já vai levar. Pessoas com algum grau de demência não precisam da resposta correta de imediato, pois não conseguem assimilar a verdade ou esquecerão rapidamente.
2 –Peça ajuda com alguma tarefa pontual. Assim, o paciente se distrai e você ganha tempo para que ele mude de ideia ou foque em outra coisa.
3 – Peça para ele arrumar uma mala pequena com alguns pertences. Ele verá que você não está dificultando o que ele quer. Se o paciente estiver acamado, vá perguntando o que ele gostaria de levar para você arrumar as coisas.
4 – Caminhe com ele pela casa ou quintal. O movimento pode fazê-lo sentir indo a algum lugar. Além disso, você também ganha tempo para o familiar se distrair com outra coisa.
5 – Dê uma volta de carro, no quarteirão ou nos arredores. Esta é uma outra maneira de distraí-lo sem contrariá-lo ou gerar atrito. Aqui, a sensação de “ir para algum lugar” também ajuda. Logo ela focará em algo diferente. Se demorar um pouco, você pode dizer que esqueceu algo e precisa voltar para pegar.
Outras dicas importantes são: fale de maneira suave e pausada, chame a pessoa pelo nome e segure sua mão enquanto conversam e evite dar ordens. Fale sempre no positivo e dê tempo para que seu familiar responda e faça perguntas, demonstrando que entendeu.
Tente sempre manter a calma. Você não está sozinho.
O Mal de Alzheimer atinge cerca de 30 milhões de pessoas no mundo e a maioria com idade superior a 60 anos. É uma doença que não tem cura, mas com tratamento adequado, seus sintomas podem ser minimizados. Por necessitar de tomar remédios todos os dias e uma atenção redobrada, o cuidado deve ser de perto e diário.